A Forminho marcou presença no 4.º Encontro Nacional de Entidades Formadoras (ENEF), organizado pela APEFOR – Associação Portuguesa de Entidades Formadoras e que se realizou no dia 1 de outubro, no Instituto Piaget, em Viseu, sob o tema “Transformar para Capacitar: Reformar, Financiar e Inovar o Futuro da Formação”.
Num contexto em que a inteligência artificial está a transformar rapidamente a forma como trabalhamos, aprendemos e nos relacionamos com a tecnologia, o Painel 3 – “IA na Formação: Entre o Potencial e a Responsabilidade” trouxe uma questão incontornável para o setor da formação, nomeadamente como aproveitar o potencial da IA sem perder de vista as pessoas, a responsabilidade e a supervisão humana?
Este painel contou com a moderação do Diretor-Geral da Forminho, António Miranda, e com a participação de Celestino Magalhães, Professor da área das Tecnologias Educativas do Instituto Piaget, enquanto keynote speaker, e do consultor Miguel Cabrita e ainda Cláudio Costa.
Um dos pontos centrais da reflexão foi a evolução da própria inteligência artificial. Se inicialmente falávamos, sobretudo, de ferramentas que respondem às nossas perguntas ou nos ajudam a executar determinadas tarefas, estamos agora perante uma nova realidade: os agentes autónomos. Estes sistemas podem receber um objetivo, planear, agir, observar e adaptar-se, aproximando-se de uma lógica de “colaborador digital”.
Esta mudança levanta novas questões e desafios para as organizações e, particularmente, para as entidades formadoras, entre as quais que tarefas queremos que a IA faça sozinha? Onde é que o lado humano tem obrigatoriamente de intervir?
No que concerne à formação, foram apresentados alguns exemplos em que a IA pode constituir um apoio, nomeadamente na execução de tarefas administrativas de forma mais eficiente e na criação de novas possibilidades ao nível pedagógico. A utilização de ferramentas tecnológicas contribui, sem dúvida, para a inovação das organizações. Todavia, mais importante do que isso, é preparar as pessoas para terem capacidade crítica para as utilizar de forma adequada, tendo também em conta questões de privacidade, ética e proteção da informação. Nem toda a informação deve ser partilhada com ferramentas de IA, sendo fundamental saber que dados podem ser utilizados, em que contexto e com que finalidade, mantendo o lado humano no âmago da decisão.
Na Forminho, acreditamos que capacitar é também preparar para fazer escolhas conscientes num mundo em mudança, aproveitando o potencial da tecnologia sem abdicar da responsabilidade, do pensamento crítico e das relações humanas.
Por mais tecnologia que haja, há dimensões da formação que continuam a ser profundamente humanas e o Dotar o Ser para ser, saber e fazer continuará a ser a nossa missão.