A Forminho esteve presente na 3.ª edição da conferência ‘Educação para o Futuro’, realizada no dia 17 de outubro, em Leiria. Organizada pelo Saber Interativo, em parceria com o Município de Leiria, através da Biblioteca Municipal Afonso Lopes Vieira, a iniciativa promoveu a reflexão sobre os desafios atuais da educação e o papel de toda a comunidade na preparação do futuro das crianças e dos jovens.
Ao longo do dia, as mesas-redondas e a palestra proporcionaram a partilha de perspetivas sobre o papel da escola, a inclusão e a necessidade de encontrar abordagens educativas que respondam às características e necessidades de cada criança e jovem.
Na mesa-redonda ‘A Escola como laboratório para a vida’, com a participação de Carla Anjos, professora de Matemática do ensino secundário, Maria Paula Paixão, professora associada na Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade de Coimbra, e João Figueirinhas Costa, diretor executivo da Shaken Futures, destacou-se a importância de uma escola que prepare os alunos para além dos conteúdos académicos, proporcionando-lhes ferramentas para exercerem uma cidadania ativa, desenvolverem competências sociais e construírem os seus próprios percursos. A possibilidade de experimentar, errar, aprender com os erros e voltar a tentar foi apontada como essencial para desenvolver a resiliência, a persistência e a capacidade de enfrentar os desafios da vida.
A palestra ‘Uma escola para todos’, dinamizada pelo professor Adelino Calado, ex-diretor do Agrupamento de Escolas de Carcavelos e consultor educacional, colocou em evidência a importância das relações humanas, da negociação e dos valores na construção de ambientes educativos mais inclusivos. Estabelecer vínculos com os alunos, envolvê-los no processo de aprendizagem e promover valores como a responsabilidade, a integridade, a curiosidade, a liberdade e a participação são dimensões fundamentais para uma educação que reconhece cada aluno na sua individualidade.
Já a mesa-redonda ‘Novas rotas para a educação’, com Joana Ferreira, educadora de infância, Rita Marcelino, formadora de Comunicação e fundadora do projeto Há cá SARDINHA!, e Hugo Ferreira, produtor de espetáculos e criador de programas educativos, destacou o potencial dos materiais não estruturados, como o cartão e outros materiais reutilizáveis, enquanto recursos que estimulam a criatividade, a descoberta e a aprendizagem. Além disso, foram valorizadas as metodologias participativas e visuais, que incentivam as crianças a pensar, questionar e encontrar as suas próprias respostas. Por último, conhecer cada aluno para além do seu papel na escola, reconhecendo os seus interesses, experiências e características individuais, foi também uma dimensão importante desta reflexão.
A humanização da educação, a educação para os valores e o desenvolvimento do carácter foram ideias transversais às diferentes intervenções. A comunicação, a regulação emocional e o exemplo dos adultos assumem um papel determinante na construção de relações educativas positivas e no desenvolvimento das crianças e dos jovens.
Estas reflexões convidam-nos também a pensar no tempo e no espaço que damos a cada aprendizagem, uma vez que Educar exige paciência, calma e presença. Num contexto em que tantas vezes procuramos resultados rápidos, importa recordar que aprender não é um processo linear nem acontece ao mesmo ritmo para todos. É preciso dar espaço à curiosidade, permitir a experimentação, aceitar os erros e respeitar o tempo de cada criança.
A conferência reforçou ainda que a educação é uma responsabilidade partilhada. Escola, famílias e comunidade devem trabalhar em conjunto para criar oportunidades, fortalecer o sentimento de pertença e contribuir para percursos educativos mais significativos.
Para a Forminho, refletir sobre os desafios da educação é uma oportunidade para continuar a questionar práticas, explorar novas abordagens e valorizar uma aprendizagem que coloca as pessoas no centro,porque desenvolver pessoas é contribuir para um futuro melhor.